quinta-feira, 28 de março de 2013

O apartamento era pequeno e frio. Frio no sentido de não ter o aconhego da minha casinha em Terra Roxa. Mas, tudo bem, isso é apenas um detalhe. 'Vou transformar este espaço em um lar pro meu filho, pelo meu filho', pensei.

Larguei as duas malas e a bolsa na sala. E fomos ao banheiro. Sempre que chegamos de algum lugar, ao entrar, vamos diretamente lavar as mãos. Que banheiro pequenininho... e cinza. O meu banheiro era todo branquinho. Adoro branco. Na minha casinha, quase tudo era branquinho. Havia um pouco de cor, bastante de cor quero dizer, mas a cor estava nos detalhes.

'Tudo bem. Um banheirinho cinza que logo, logo, vai ficar colorido com uns tapetinhos coloridos, toalhas coloridas, uma saboneteira colorida e talvez alguns peixinhos coloridos ao lado do espelho'... imaginei. Pronto! Estaria resolvido o problema do cinza e do chão todo descascado.... Há e completaria com uma cortina no chuveiro... uma cortina de peixinhos coloridos também, pra alegrar o meu garotinho.


Depois fomos para a cozinha. Cadu estava com sede. Carlos Eduardo, meu filho, a razão da minha vida agora. Não importava o que eu tivesse de passar, só queria uma vida feliz pro meu amorzinho. Na cozinha, confesso, fiquei um pouco desolada. A minha cozinha era tão branquinha e completinha. Tinha de tudo, muito simples, mas de tudo e tudo bem limpinho.

A do apartamento, bem, não era um primor. Uma bancada encardida de pia. Uma geladeira toda descascada, com partes completamente tomadas pela ferrugem, com a porta torta (eu tinha de fazer um esforço enorme pra encaixá-la) e só... ficamos três meses sem fogão. Hoje eu penso, como consegui passar esses noventa dias sem fazer a sopinha que Cadu adorava e tomava todas as noites antes de dormir lá em Terra Roxa? Mas, passou, sobrevivemos sem sopa. Aprendemos a comer outras coisas antes de dormir... coisas que não precisavam ser cozidas.

Havia dois copos de requeijão vazios sobre a bancada da pia. Abri a torneira, deixei escorrer água durante uns cinco minutos, até ela ficar mais clarinha. Lavei o copo, enchi e dei pro Cadu. Lembro que segurei com força as lágrimas para não escorrerem pelo rosto.

Não, o meu menininho não iria  me ver chorar. Afinal agora estávamos morando em uma ilha. E isso era simplesmente maravilhoso. Nossa vida ia ser maravilhosa.

Continua....

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