sexta-feira, 17 de maio de 2013

Nasci e cresci numa cidadezinha do interior. Numa casinha simples de madeira pintada de verde, com janelas brancas. Tinha meu próprio quartinho e assim que consegui entender de cores, nele tudo era branco, com alguns detalhezinhos de rosa... tudo muito clarinho, muito limpinho, organizadinho.

As visitas, minhas amiguinhas, os parentes, todos sempre diziam: `Como é agradável o teu quartinho... aqui tudo é tão leve, tão fresquinho; é tão bom ficar aqui`.

Não sei se foi de tanto ouvir isso ou se porque era gostoso mesmo ficar lá que eu ficava a maior parte do meu tempo no meu quarto...

Eu adorava ficar horas e horas brincando de casinha com uma amiga. Lara, que morava na casa ao lado da nossa. Brincávamos e brincávamos. Depois aprendemos a ler... e de brincar de casinha passamos para os livros. O primeiro livro que li foi O menino do dedo verde, e simplesmente me apaixonei... pelo verde da natureza.

Acho que foi o primeiro sinal de que eu trabalharia com a natureza... qualquer aspecto dela. Lembro que a primeira coisa 'mais importante' relacionada à natureza que fiz foi cuidar de um jardim e de uma hortinha. Havia um espaço pequeno entre o muro da frente de nossa casa e a casa... era coberto de grama que no inverno agonizava com o frio intenso e no verão com o sol escaldante. Minha mãe tinha um trabalho danado pra mantê-lo verde.

O que eu fiz? Bem pertinho do muro, tirei a grama, cavei um pouquinho e adubei a terra durante um tempo com as cascas de batatas, cenouras, aipim e pedaços de tomates. Não é que as sementes de tomates jogadas na terra para adubá-la fizeram surgir plantinhas? Sim! Isso mesmo... a primeira coisa que plantei, sem ao menos saber que estava plantando, foram tomates. Os pezinhos cresceram e surgiram alguns tomatinhos.

Nem preciso dizer que me especializei em jogar sementes de tomate para vê-las se tornarem tomates novamente - isso na parte detrás da casa, em uma partezinha da horta de mamãe - que ela gentilmente cedeu para mim.

Próximo ao muro em frente à nossa casa, fiz um jardim. Como recebeu elogios o meu jardim! E daí em diante não parei mais de trabalhar na terra. Sou uma verdadeira especialista de trabalhos da terra, tornei-me material humano de primeira linha quando o assunto é terra... e outras coisinhas sobre animais, conhecimento que adquiri em um trilhão de cursos que fiz e em cinco trilhões de contato direto na casa dos agricultores de minha cidadezinha.

Mas é só isso!

Agora estou em outro universo... tenho de me adaptar.

E pensando, pensando cheguei à conclusão de que posso ser, ou babá, ou faxineira. Gosto de crianças e cuido muito bem de meu filho. E sei limpar uma casa como ninguém.

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